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Do “por que comigo?” ao “o que mais é possível?”

Frequência Plena - Programa 03

Há momentos em que a vida não pede uma resposta.

Pede apenas que você pare, respire e se permita escutar.

Porque talvez, por trás de tudo aquilo que você diz que não pode, não consegue ou não merece, exista um desejo esperando para ser reconhecido.

E se, neste instante, uma voz diante de você perguntasse:

“E se você retomasse o que é seu?”

Permaneça aqui.

Talvez esta leitura te revele uma possibilidade que você ainda não conseguiu enxergar.

Fique!

Retomando o caminho

Nos dois primeiros programas, começamos a olhar para quem somos, para o poder da presença e da consciência, e para a frequência em que estamos vivendo.

Hoje, entramos em um tema que pode ser profundamente libertador — embora nem sempre seja confortável: a autorresponsabilidade.

Antes de continuar, quero propor uma pergunta:

Quanto da minha vida ainda estou entregando nas mãos de outras pessoas, do passado ou das circunstâncias?

Talvez você tenha entregue a sua paz à aprovação de alguém.

Talvez tenha colocado a sua felicidade nas mãos de uma pessoa que precisa mudar.

Talvez ainda esteja permitindo que uma experiência antiga determine o que você acredita ser possível hoje.

Ou talvez esteja esperando que as circunstâncias se organizem para, finalmente, começar a viver.

Mas e se existisse uma escolha disponível agora?

O que é autorresponsabilidade?

E se eu disser que você tem superpoderes — e talvez esteja usando alguns deles do jeito errado?

Calma. Não estou falando de voar, atravessar paredes ou ler pensamentos.

Estou falando do poder de participar ativamente da própria vida.

Hoje, vamos conversar sobre uma palavra que assusta muita gente, mas que pode ser libertadora: autorresponsabilidade.

A maioria de nós é muito habilidosa em encontrar culpados.

Se o dia está ruim, a culpa é da chuva.

Se o plano deu errado, a culpa é do chefe, do trânsito, da família, do signo ou das circunstâncias.

Às vezes, até Deus entra na lista:

“Deus quis assim.”
“Isso é uma provação divina.”
“Deus sabe o que faz.”

Também podemos dizer:

“Eu sou assim porque fui criado dessa forma.”
“Minha vida não muda porque ninguém me apoia.”
“Eu não tenho escolha.”
“Quando aquela pessoa mudar, eu vou conseguir ficar bem.”

Sem perceber, cada vez que colocamos toda a responsabilidade no externo, entregamos também o nosso poder de ação.

É como se sentar no banco do passageiro e deixar a vida dirigir.

Você pode até atravessar momentos em que não sabe exatamente para onde ir. Mas ainda pode escolher segurar o volante, observar a estrada e decidir qual será o próximo movimento.

Autorresponsabilidade não é culpa

É importante deixar isso muito claro:autorresponsabilidade não significa dizer “tudo é culpa minha”.

Existem acontecimentos que não escolhemos. Existem perdas, injustiças, imprevistos, violências e circunstâncias que não estão sob o nosso controle.

Assumir responsabilidade não é negar o que aconteceu, justificar o injustificável ou carregar culpas que não nos pertencem.

Autorresponsabilidade é perguntar:

“Qual é a minha escolha possível a partir daqui?”

É reconhecer a nossa participação na experiência e observar:

  • o que percebemos;
  • o que esperamos;
  • o que permitimos;
  • como nos comportamos;
  • quais decisões tomamos;
  • que possibilidades conseguimos enxergar;
  • qual postura escolhemos diante do que aconteceu.

Duas pessoas podem atravessar situações semelhantes e interpretá-las de maneiras completamente diferentes.

Uma pode enxergar apenas fracasso. Outra pode perceber um aprendizado, uma mudança de direção ou uma oportunidade de recomeçar.

O acontecimento importa. Mas o ponto de vista também participa da experiência.

Há pessoas que permanecem olhando para a porta que se fechou.

E há pessoas que, depois de reconhecer a perda, começam a procurar a janela que se abriu.

Por isso, existe uma frase que gosto muito:

“Como posso culpar o vento se fui eu que deixei a janela aberta?”

Essa pergunta não serve para gerar culpa.

Serve para despertar consciência.

As pequenas histórias que criamos

Às vezes, a falta de autorresponsabilidade aparece em situações muito simples do dia a dia.

Imagine que você seja convidado para um happy hour, mas não queira ir. Você não quer magoar o seu amigo. Também não quer dizer claramente que prefere não participar.

Então, inventa uma desculpa:

“Estou passando mal.”
“Estou com dor de barriga.”
“Meu carro está com problema.”
“Estou indisposto.”

Talvez, naquele momento, pareça mais fácil criar uma história do que dizer simplesmente:

“Obrigada pelo convite, mas hoje não quero ir.”

Mas cada vez que dizemos “sim” quando gostaríamos de dizer “não”, podemos criar desconforto, tensão e até ressentimento.

Depois, talvez reclamemos da situação — embora tenhamos participado da sua criação desde o início.

Não se trata de controlar tudo. Trata-se de perceber que, mesmo quando não escolhemos o acontecimento, podemos escolher a nossa postura, a nossa resposta e o próximo passo.

Três escolhas para começar a praticar a autorresponsabilidade

A autorresponsabilidade não precisa ser pesada, rígida ou dramática. Ela pode começar de maneira simples e leve.

1. Troque a reclamação pela ação

Reclamar pode dar a sensação de que estamos fazendo alguma coisa, mas nem sempre produz movimento.

Da próxima vez que surgir um problema, experimente gastar alguns minutos entendendo o que aconteceu. Depois, mude a pergunta.

Em vez de permanecer em:

“Por que isso aconteceu comigo?”

pergunte:

“O que eu posso fazer agora?”

Ou ainda:

“O que está certo sobre isso que eu ainda não estou percebendo?”

E:

“Universo, isso aconteceu. O que pode acontecer agora?”

A pergunta abre espaço.

A reclamação fecha.

Observe:

Quanto valor você tem dado às reclamações e às reações imediatas na sua vida?

Faça uma pausa.

Respire.

Em todos os lugares em que você continua reclamando automaticamente, reagindo no piloto automático e se afastando da presença, que possibilidade existe de destruir e descriar tudo isso agora?

E pergunte:

“Qual parte disso estou criando, permitindo ou mantendo?”

Depois, permaneça na pergunta:

“O que mais é possível?”

2. Cancele as desculpas perfeitas

Você conhece aquelas desculpas que parecem muito razoáveis?

“Eu ainda não comecei a caminhar porque não tenho o tênis ideal.”

“Eu só vou começar quando tiver mais tempo.”

“Não posso iniciar agora porque ainda não estou preparado.”

“Quando tudo estiver organizado, eu faço.”

A desculpa perfeita pode funcionar como uma anestesia.

Ela oferece conforto no presente, mas mantém a vida parada.

Nem sempre você terá o cenário ideal, o equipamento perfeito, a segurança completa ou a certeza absoluta.

Às vezes, é preciso começar com o que existe hoje.

O feito pode não ser perfeito, mas ainda pode ser um começo.

Então, pergunte a si mesmo:

Que valor estou atribuindo às desculpas que invento para justificar por que a minha vida não sai do lugar?

Em todos os lugares em que você usa desculpas como uma forma de evitar a ação, se confortando com o conhecido em vez de escolher o novo, que possibilidade existe de destruir e descriar tudo isso agora?

E, depois, pergunte:

“O que eu escolho agora?”

Não amanhã.

Não quando tudo estiver pronto.

Agora.

O que mais é possível?

3. Seja o diretor do seu próprio filme

Se a sua vida fosse um filme, que personagem você estaria interpretando neste momento?

Você seria o protagonista, que participa das decisões e enfrenta os desafios?

Ou seria um figurante, assistindo à confusão acontecer e esperando que alguém apareça para resolver tudo?

Talvez você esteja entregando o roteiro da sua vida para outras pessoas.

Talvez esteja permitindo que o medo escolha por você.

Talvez esteja esperando que alguém peça desculpas, mude de atitude, reconheça o seu valor ou abra uma porta.

Mas existe uma pergunta que não quer calar:

Que valor você está atribuindo ao papel de vítima e ao hábito de apontar o dedo para os outros?

Em todos os lugares em que você prefere culpar o mundo e as pessoas pelas suas frustrações, em vez de assumir a responsabilidade pelas suas escolhas e criar uma nova possibilidade, que espaço existe para destruir e descriar tudo isso agora?

E então:

O que você criaria se assumisse a responsabilidade pelas escolhas que estão, de fato, ao seu alcance?

O que mais é possível?

Retomar o controle do próprio barco

Quando paramos de criar desculpas, nem sempre tudo muda imediatamente.

Mas algo muda dentro de nós.

Começamos a observar com mais clareza.

Deixamos de esperar que alguém nos resgate.

Passamos a reconhecer que, mesmo quando não podemos controlar o mar, ainda podemos aprender a conduzir o barco.

Você não controla o vento.

Não controla as ondas.

Não controla todas as circunstâncias.

Mas pode escolher como se posicionar diante delas.

Pode ajustar as velas.

Pode pedir ajuda.

Pode mudar a rota.

Pode decidir não permanecer em um lugar que já não faz sentido.

Autorresponsabilidade é deixar de perguntar apenas:

“Por que isso está acontecendo comigo?”

E começar a perguntar:

“O que posso escolher a partir daqui?”

Essa mudança de pergunta pode transformar a maneira como você se relaciona com a própria história.

Uma nova forma de olhar

Talvez você esteja diante de uma porta fechada.

Talvez algo não tenha acontecido como esperava.

Talvez uma pessoa tenha partido, uma oportunidade tenha terminado ou um plano tenha deixado de fazer sentido.

Você pode passar muito tempo olhando para a porta fechada. Pode questionar por que ela se fechou.

Pode procurar alguém para culpar.

Pode permanecer esperando que ela se abra novamente.

Ou pode respirar, reconhecer a sua dor e começar a olhar ao redor.

Talvez exista uma janela aberta.

Talvez exista outro caminho.

Talvez exista uma possibilidade que só pode ser percebida quando você deixa de concentrar toda a sua atenção no que perdeu.

Isso não significa ignorar o que aconteceu.

Significa não permitir que o que aconteceu seja a única definição do que ainda pode acontecer.

Dê atenção às oportunidades que se abrem, não à porta que se fecha.

A pequena escolha de hoje

Você não precisa transformar toda a sua vida em uma única noite.

Não precisa resolver todos os problemas.

Não precisa ter todas as respostas.

Comece com uma pequena escolha.

Talvez seja dizer um “não” honesto.

Talvez seja parar de adiar algo importante.

Talvez seja substituir uma reclamação por uma ação.

Talvez seja pedir ajuda.

Talvez seja reconhecer uma desculpa que você vem repetindo.

Talvez seja deixar de esperar que outra pessoa mude para que você possa encontrar paz.

Então, eu pergunto:

Qual é a pequena escolha que você pode fazer hoje para retomar o controle do seu barco?

Pode ser uma escolha simples.

Mas uma escolha consciente tem força para mudar a direção de uma vida inteira.

Do “por que comigo?” ao “o que mais é possível?”

A autorresponsabilidade não é uma sentença.

É uma devolução.

A devolução do poder de escolher.

Não significa controlar tudo.

Significa parar de entregar tudo.

Não significa negar a dor.

Significa não permitir que a dor seja a única voz conduzindo a sua vida.

Não significa culpar a si mesmo.

Significa reconhecer que existe uma escolha possível a partir daqui.

Talvez você não tenha escolhido tudo o que viveu.

Mas pode escolher o que fará com aquilo que viveu.

E talvez seja esse o verdadeiro movimento de transformação: sair, pouco a pouco, da pergunta “por que comigo?” e abrir espaço para uma pergunta maior: “O que mais é possível?”

A presença é o primeiro passo.

A consciência ilumina o caminho.

A responsabilidade devolve o poder.

E a escolha é sua.

Com presença,
Mari Presrlak

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